Brasileiros

Quem nasce na França é francês, na Inglaterra, inglês e em Portugal, português, não há dúvidas sobre isso. Nascido na América é americano, na Itália, italiano, em Mongólia, Mongol e, no Zimbábue, quem diria, é zimbabuano! O brasileiro pode até ser um povo caloroso, de grandes esportistas e artistas, o que é motivo de orgulho para nós. Mas, nesta questão dos adjetivos pátrios, o Brasil acabou mesmo virando  um grande motivo de piada. E de mal gosto.

Se em nossa tradição oral  insistimos em contar anedotas sobre o português, é porque desconhecemos que nosso antigo colonizador já antecipou-se e presenteou-nos com um título jocoso que carregamos orgulhosos, sem nos darmos conta da gafe cometida: ser chamados brasileiros. Isso porque, como bandoleiro, maconheiro, macumbeiro, funkeiro, roqueiro, metaleiro, bicheiro, lixeiro, coveiro e pedreiro são adjetivos originalmente com valor depreciativo, a palavra brasileiro traz uma conotação igualmente pejorativa. Não que as profissões de lixeiro, coveiro ou pedreiro sejam menos dignas, mas naturalmente não são aquelas que representam status social.

Brasileiro também era adjetivo que indicava uma atividade profissional, ou seja, o extrator de pau brasil. Como, via de regra, essa mão de obra era fornecida pelos escravos, índios ou africanos, ou por criminosos degredados para o nosso país por Portugal, a palavra brasileiro passou a ter também um significado depreciativo.

Analisando, pode-se constatar que são raríssimos os gentílicos que carregam o sufixo "eiro" na língua portuguesa. Além de brasileiro, temos "mineiro", outro que também virou injustamente motivo de piada na cultura brasileira (ou, melhor, brasilista, ou brasiliana, como preferir).

Enfim, seja em tempo de eleições ou não, somos todos filhos desta mesma pátria amada, idolatrada, de tantas políticas e politicagens, políticos e politiqueiros, como nós, uns bons brasileiros!

Fábio Cezar

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