Leitura e escrita como meios de crescimento pessoal e profissional


Prof. Fábio Cezar

"Não basta ler a realidade. É preciso escrevê-la."
Moacir Gadotti

Ser alfabetizado significa tão somente saber ler e escrever. Isso é, ter os meios básicos necessários para se comunicar através da escrita. No entanto, na realidade contemporânea, a condição de alfabetizado é cada vez mais insuficiente para corresponder adequadamente às demandas sociais.

Assim, a alfabetização é cada vez mais insatisfatória. Afinal, mesmo um indivíduo alfabetizado, pode ser incapaz de entender uma bula de remédio. É o chamado analfabetismo funcional, terminologia recomendada pela Unesco a partir dos anos 70.

É evidente então a necessidade não apenas de decodificar sons e letras, mas, de entender os significados e usos das palavras em diferentes contextos. Disso depende o sucesso do próprio indivíduo numa sociedade grafocêntrica, em que a prática da leitura e escrita são imprescindíveis para inclusão social.

Daí a importância do professor no incentivo à leitura e a escrita de diferentes gêneros textuais, a fim de que se formem verdadeiros leitores e escritores.

Porém, infelizmente, a estrutura educacional brasileira forma ledores, não leitores. A diferença estaria na qualidade da decodificação e compreensão do texto.

Muito além da alfabetização, o letramento possibilita ao sujeito a flexibilidade linguística necessária ao desempenho adequado que lhe será exigido em sociedade. Somente o letrado é capaz de analisar diferentes textos, compará-los, pesquisar os porquês das diferenças, compreender regras sobre o uso da língua e saber aplica-las no contexto devido.

Enfim, o conhecimento e a informação são os meios para se conquistar oportunidades de trabalho e renda, através da qualificação do indivíduo. E as consequências positivas são nos diversos âmbitos: sócio-culturais, cognitivos e linguísticos. O resultado, basicamente, será um indivíduo socialmente inserido na cultura grafocêntrica, capaz de desenvolver um pensamento cognitivo mais elaborado e com um amplo vocabulário na linguagem oral.

Aos professores, cabe o papel de despertar o interesse dos educandos pela leitura e pela escrita. Só assim poderemos ter indivíduos aptos a ler criticamente a realidade, com maiores perspectivas de crescimento, na busca por uma melhor qualidade de vida, em uma sociedade cada vez mais consciente e justa.

5 comentários:

  1. A gente pode perguntar: quem tem que resolver o problema somos nós ou é o Estado? Aí a gente responde que é o Estado, esquecendo que ele é feito por nós, por gente como a gente! Eles roubam um pouco, mas, fora isso, somos iguais.

    Acho que o grande lance é o pequeno aluno, ainda em casa, ser convencido a se interessar nas aulas, de alguma forma. Aí o professor consegue fazer o papel dele.
    Então, vem o seguinte: como despertar os pais para isso? Como, se eles próprios estão imersos na mesma falta de perspectiva de seus filhos? Nesse caso, a mídia com certeza poderia ajudar, mas não quer. E agora?

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  2. Caro, Dionísio, sua colocação propõe uma reflexão sobre questões da realidade da educação no Brasil. Todos os pontos que você levantou são relevantes para a discussão sobre o assunto. Mas, o texto em questão trata mais especificamente sobre a importância da leitura e da escrita para o crescimento pessoal e profissional do indivíduo. A questão é: saber ler e escrever é suficiente para formar cidadãos críticos e capacitados a compreender a realidade a sua volta?

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  3. Concordo e acredito que a leitura de qualidade, aliada a interpretação e desenvolvimento textual são agentes transformadores tão significativos que se figuram como uma ameaça para um sistema que impulsiona ao consumismo desenfreado e a diversos paradigmas com interesses puramente financeiros. Se uma pessoa interpreta um texto, logo interpreta a si mesmo e começa assim a questionar a vida, o todo e tudo que a cerca. Nós professores devemos instigar a curiosidade, ajudar a leitura, desenvolver o texto, o questionamento,o blog, o livro e depois o mundo que começa no universo de cada um de nós.

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  4. Minha querida amiga Flavia, você foi perfeita em sua colocação. Obrigado pela participação.

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  5. Eu que agradeço por fazer parte da sua seleta lista. Gosto muito de estar por perto de pessoas que tem algo a dizer, coragem para fazer e nada a temer!

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